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PORTUGAL: daqui a uma década haverá desemprego entre os médicos

30/06/2008 15:38:09

22/10/2007

“Daqui a uma década haverá desemprego entre os médicos”

O ministro da Saúde, Correia de Campos prometeu há uns dias atrás mais 600 vagas para medicina. Actualmente temos 1400, teremos então 2000. Só que para já não avança datas…

Graças a Deus não avança datas, nem tem competência para o fazer porque não é o ministro desta área.

O senhor ministro estava a fazer o elogio à Universidade do Minho por ter os seus primeiros licenciados em Medicina, e por ter nessa altura passado de cinquenta para cem [vagas]. E ao elogiar isso, entusiasmou-se como faz muitas vezes, e no entusiasmo saiu mais uma declaração que eu quero crer que não corresponde totalmente à sua opinião. A 1400 por ano, como estamos neste momento, e tendo em conta que um aluno demora seis anos a licenciar-se e depois cinco a sair para o mercado como especialista, daqui a onze anos já vamos ter excesso, vamos ter desemprego médico. Vamos ter falta de médicos durante alguns anos porque temos um grupo enorme de médicos que têm agora cinquenta e muitos anos e que vão chegar à reforma em poucos anos, independentemente de entrarem agora muitos ou poucos, porque [essa falta] dá-se antes dos próximos onze anos.

Outra questão é que as faculdades de medicina já têm quase todas excesso de alunos. Esta faculdade em concreto está dimensionada com o novo edifício quando estiver terminado para 190 por ano e já recebeu este ano 252. É preciso rigor antes de fazer declarações públicas.

Em relação ao número de vagas para medicina, fala-se muito de lóbi médico, que estas poucas vagas também servem para manter alguns privilégios devido à fraca concorrência. O que tem a comentar em relação a isso?

Somos tentados a dizer isso em relação a todas as profissões que não conhecemos. No caso da medicina, não é a ordem dos médicos que interfere, não são as organizações profissionais que têm a ver com isto. São as faculdades que definem esse número, muito habitualmente pressionadas pelo Governo, e como disse atrás este número já serve para dar desemprego médico. Tem de se perceber que o ensino da medicina é muito condicionado, pois na parte final do curso o ensino é feito com o contacto com doentes e isso limita os alunos extraordinariamente sob pena [de o número] de ser excessivo para os doentes.

Mesmo assim continuamos a «importar» médicos de Espanha e de outros países…

Temos um mercado aberto, e como disse há pouco [a necessidade de médicos] é capaz de ser ainda maior, quando se reformar toda essa gente. O problema é que os alunos que entram hoje serão médicos daqui a onze anos. Por isso, pode o ministro meter quantos quiser nos próximos onze anos que isso não interfere em nada com as condições do mercado de trabalho. Vai continuar a haver a mesma carência e terão que vir espanhóis na mesma. Daqui a onze anos já não será necessário, nessa altura já haverá excesso.

Por falar da situação das novas instalações há muito esperadas, já há datas avançadas para a sua construção?

Andamos vários anos com o projecto às voltas, foi financiado neste ano fiscal e estivemos muitos meses à espera que o ministro da Ciência autorizasse a abertura do concurso. Foi autorizado em Agosto e foi aberto o concurso internacional agora em Setembro. Um concurso destes demora muitos meses, portanto ele estará concluído lá para o início do próximo Verão. Já passou a parte em que isto possa bloquear, e nessa altura inicia a construção que demorará, conforme o projecto de dois a três anos. De facto a Faculdade dica equipada com condições para um melhor trabalho.

Com as novas instalações, prevê-se algum aumento das vagas para medicina nesta Faculdade?

O cálculo para a dimensão que vai ter o edifício foi para 190 novos alunos por ano e nós já temos 252. Precisamos absolutamente, por muito que custe aos ministros todos, de diminuir. Neste momento deveríamos ter pouco mais de cem [vagas] só que andamos sempre com excesso, isto inquina tudo. Claro que qualquer ministro em público diz que vamos poder aumentar porque vai aumentar o edifício, e isso é verdade como raciocínio superficial. O problema é que tudo foi calculado com o novo espaço para 190.

Fonte: Primeiro de Janeiro

 

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