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Apresentação

Liberdade e Esperança

“A liberdade é a possibilidade de duvidar, a possibilidade de cometer um erro, a
possibilidade de procurar e experimentar, a possibilidade de dizer não a qualquer
autoridade”.
(Ignazio Silone)

Quando na presidência da AMB, enfrentamos todos os problemas relacionados com o exercício da profissão médica, inclusive os aspectos inerentes à formação universitária. Está mais do que comprovado: as más condições de trabalho, o aviltamento dos honorários, o enfrentamento profissional competitivo, muitas vezes, desleal e constrangedor, a necessidade de subsistir e buscar recursos com o trabalho em vários lugares, as preocupações e incertezas com o futuro, acabam levando o médico brasileiro a envelhecer mais cedo, a deixar seus lazeres, sua família, e porque não dizer, morrer mais cedo.

A maioria paga anuidades para muitas das entidades associativas e também encargos legais municipais, estaduais e federais (paga para ser médico, trabalhar como médico, ganhar como médico, até colocar uma placa de médico no consultório). Depois, em abril, todos os anos, o IR leva 27,5 % do que eles ganham sofridamente.

Atualmente, não é fácil ser médico em nosso país. Estamos com 181 escolas médicas, muitas delas com sérias deficiências que estão sendo combatidas pelo MEC/SESu; a Comissão de Especialistas do Ensino Médico tem colaborado, e muito, evitando a abertura desenfreada de novos cursos como antigamente. Felizmente, as escolas médicas em funcionamento foram de certa forma contidas e forçadas a sanear suas deficiências. Estamos caminhando na direção certa.

Na Bolívia, em média 5.200 jovens brasileiros fazem o curso de medicina, em Cuba cerca de 2.000 e na Argentina, outro tanto. A crise aumenta porque, para registrar os diplomas nos CRMs, é preciso revalidá-los, o que não é fácil pelas regras exigidas e a má formação dada pela maioria das escolas estrangeiras.

Existem ainda duas agravantes: não há perspectiva no mercado de trabalho para tantos profissionais, Por sua vez, o “SUS” maior empregador neste país, finge que paga, e o médico, é induzido também, a fingir que atende. Uma tabela de honorários ridícula, inigualável no conceito de dar “gorjetas”, regulamenta os pagamentos pelos serviços prestados. Esse “fingir” é lamentável e triste para quem sonhou buscar uma profissão que lhe parecia sacerdotal. A população carente é quem sofre as conseqüências, porque depende exclusivamente dos serviços públicos de saúde. Com isto, a forma de atendimento passa a ser humilhante.

As operadoras de planos de saúde não ficam atrás. Têm como base de remuneração a Tabela da AMB de 1992. Simplesmente um absurdo. Uma consulta, na melhor das hipóteses é remunerada em 42 reais. Deduzindo o IR e custo operacional do consultório sobra ao médico R$5,33. (Veja essa matéria em ARTIGOS).

Por essas e outras razões é que pensamos: não basta apenas indignar-se. Cada um precisa fazer a sua parte, ajudando na busca da solução tão esperada. Ter esperança de que isso venha acontecer, significa repetir aqui e acreditar no que CHRISTIANE escreveu:

“Creia amigo, que a primavera há de vir, que o inverno terá fim, que a vida será bela nesse país que teremos construído... Creia ainda, amigo, que oferecendo a nossa alegria àqueles que têm fome e frio, poderemos curar a doença e a miséria, nesse país que teremos construído... “E creia ainda, amigo, que nossas forças unidas farão brilhar o sol nas noites escuras, para devolver a todos o sabor da esperança, nesse país que teremos construído...”.

Dr. Antonio Celso Nunes Nassif
75, Doutor em Medicina.
Membro da Comissão de Especialistas do Ensino Médico do MEC.
Foi presidente da Associação Médica Brasileira.

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